Calculadora de Cota de Aprendiz

Ferramentas do DP e RH
Versão 1.9.1 — Atualizado em Agosto/2026

Calculadora de Cota de Aprendiz

Apure a cota mínima e máxima de aprendizes do estabelecimento conforme o art. 37 da Portaria MTE nº 1/2025 e os arts. 428 e 429 da CLT.

5% a 15%
faixa legal da cota
Art. 37
Portaria MTE nº 1/2025
Base ≥ 7
estabelecimento obrigado
14 a 24
faixa etária do aprendiz

A cota de aprendiz é a reserva legal que obriga o estabelecimento a manter aprendizes em proporção às funções que demandam formação profissional. Esta ferramenta apura essa cota para o profissional de DP e RH conforme o art. 37 da Portaria Consolidada MTE nº 1/2025: aplica os percentuais de 5% (mínimo) e 15% (máximo) sobre a base de cálculo e verifica o cumprimento, distinguindo os aprendizes contratados diretamente dos contratados por entidade formadora.

Como usar: escolha o enquadramento jurídico do estabelecimento, informe o total de empregados e as exclusões legais da base, e lance à parte os aprendizes contratados indiretamente. A calculadora devolve a base, os limites aplicáveis ao regime e o status de conformidade.
Deseja calcular mesmo assim?
Exclusões legais da base (Art. 37, III)
Aprendizes por contratação indireta
Enquadramento
Total de empregados
Total de exclusões da base
Base de cálculo
Cota mínima (5%)
Cota máxima (15%)
Aprendizes diretos
Aprendizes indiretos
Aprendizes computáveis para cumprimento
O quantitativo de aprendizes indiretos é considerado apenas para simulação. A conformidade efetiva depende da validade do contrato com a entidade formadora, da habilitação da entidade, do programa de aprendizagem e do registro correto do estabelecimento vinculado.
Providências recomendadas
    Este resultado é uma simulação a partir dos dados informados e não comprova regularidade. A comprovação oficial é feita pela certidão emitida pelo MTE em certidoes.sit.trabalho.gov.br/aprendiz, gerada a partir das informações que o empregador prestou ao eSocial. A emissão da certidão não impede fiscalização nem afasta eventual autuação.
    Documentos:
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    Como funciona a cota de aprendiz

    A contratação de aprendizes é obrigatória para os estabelecimentos enquadrados na Lei nº 10.097/2000, regulamentada pelos arts. 428 e 429 da CLT e pelo Decreto nº 9.579/2018. A obrigação consiste em manter aprendizes em percentual que varia de 5% a 15% das funções que demandam formação profissional. Para o DP e RH, o desafio prático é definir corretamente a base de cálculo — e é nela que mora a maioria dos erros que viram auto de infração.

    A norma que hoje detalha esse cálculo é a Portaria Consolidada MTE nº 1, de 17 de dezembro de 2025. Seu art. 37 fixa três pontos centrais: o percentual de 5% a 15%; o conceito de estabelecimento (o complexo de bens organizado para a atividade, sob o regime da CLT); e a lista taxativa de exclusões da base.

    O critério para enquadrar uma função é a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) e a exigência da função em si — não a escolaridade do empregado. Um assistente administrativo formado em Psicologia, por exemplo, permanece na base, pois a função não exige nível superior.

    Tudo o que não está na lista de exclusões e demanda formação profissional entra na base. Em especial, não podem ser excluídas: funções em condições insalubres ou perigosas; funções de baixa complexidade; funções que exigem formação, licença ou idade específica em lei, como motoristas e vigilantes; funções sem oferta de curso na localidade (a vaga é redirecionada a outra função); e funções que acordo ou convenção coletiva pretenda excluir, pois a negociação não suprime essa proteção. Quanto aos motoristas e cobradores do transporte coletivo, o Tema 66 do TST (IRR no RRAg-1001634-27.2019.5.02.0435, acórdão de 14/03/2025) firmou tese vinculante determinando sua inclusão na base.

    O arredondamento das frações

    O parágrafo único do art. 37 determina que as frações de unidade no cálculo da reserva legal geram a obrigação de contratar mais um aprendiz. Na prática: a cota mínima (5%) é sempre arredondada para cima. Já a cota máxima (15%) é arredondada para baixo, pois ultrapassar o teto de 15% também é irregular.

    O limite dos 7 empregados na cota de aprendiz

    Quando a base é inferior a 7, o estabelecimento não fica obrigado e, em regra, não cabe nova contratação. A razão é matemática: com base 6, qualquer aprendiz (1 ÷ 6 = 16,67%) já estouraria o teto de 15%. A contratação passa a ser viável a partir de uma base de 7 empregados (1 ÷ 7 = 14,3%, dentro da faixa).

    Um cuidado que o DP precisa ter: essa conclusão vale para nova contratação. O contrato de aprendizagem já em curso deve ser concluído até o seu termo, mesmo que o quadro encolha depois da admissão. A redução superveniente da base não transforma, por si só, um contrato regular em irregular — e rescindi-lo por esse motivo criaria um passivo desnecessário. O cálculo, vale destacar, é feito por estabelecimento (CNPJ completo): matriz e cada filial apuram a própria cota separadamente.

    Exemplo prático

    Carla, analista de RH, administra um estabelecimento com 80 empregados. Desses, 8 ocupam funções de nível superior, 5 são cargos de gerência/confiança, 2 são temporários, 1 está aposentado por invalidez e a empresa já tem 3 aprendizes.

    Base = 80 − (8 + 5 + 2 + 1 + 3) = 80 − 19 = 61 empregados.

    Mínimo = 61 × 5% = 3,05 → arredonda para cima = 4 aprendizes.
    Máximo = 61 × 15% = 9,15 → arredonda para baixo = 9 aprendizes.

    Com 3 aprendizes, Carla está abaixo da cota mínima de 4 — falta contratar mais 1 para regularizar.

    Quem é obrigado e quem é dispensado da cota de aprendiz

    A obrigação alcança os estabelecimentos de qualquer natureza com 7 ou mais empregados em funções que demandem formação profissional. Mas há dispensas — e elas não são todas iguais, um detalhe que costuma passar batido:

    • Microempresa e EPP: dispensadas da obrigação pelo art. 56, I, do Decreto nº 9.579/2018. A contratação é facultativa, mas quem opta por contratar continua sujeito ao teto de 15%.
    • Entidade sem fins lucrativos com objetivo de educação profissional: dispensada pelo art. 56, II, do mesmo decreto — e vai além. O § 1º-A do art. 429 da CLT afasta o limite do artigo para essa entidade, de modo que não incide nem o piso de 5% nem o teto de 15%. Tratá-la como se fosse ME/EPP é erro comum e produz conclusão errada na fiscalização.
    • Administração direta, autárquica e fundacional: a contratação observa regulamento específico, e não o capítulo do Decreto nº 9.579/2018 que rege a cota celetista (art. 58, parágrafo único). Se o ente contrata pessoal pela CLT, a cota do art. 429 volta a incidir sobre esses empregados. Empresas públicas e sociedades de economia mista seguem a regra geral.
    • A natureza jurídica, por si só, não isenta: sindicatos, igrejas, associações e conselhos profissionais ficam obrigados se tiverem 7 ou mais empregados celetistas em funções que demandem formação. O condomínio residencial é a exceção relevante e tem tratamento próprio — veja o tópico a seguir.

    Condomínio precisa cumprir a cota de aprendiz?

    Esta é a pergunta em que a orientação administrativa e a judicial não se encontram, e o profissional de DP precisa conhecer as duas.

    Para a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, o condomínio está sujeito à cota e o descumprimento gera auto de infração. O condomínio autuado costuma então recorrer ao Judiciário, por ação anulatória do auto de infração ou ação declaratória de inexigibilidade — e vem obtendo êxito.

    O TST tem jurisprudência firme em sentido contrário para o condomínio residencial. Em maio de 2026, a 6ª Turma julgou o caso do Condomínio Concept, de Manaus (RR 0001417-42.2023.5.11.0004, relator ministro Augusto César, decisão unânime), dispensando-o de contratar aprendizes e afastando a indenização por dano moral coletivo pedida pelo Ministério Público do Trabalho. O fundamento: a obrigatoriedade do art. 429 da CLT não alcança o condomínio residencial, porque ele não exerce atividade de empresa. A 8ª Turma já havia decidido no mesmo sentido em 2021 (AIRR-384-55.2018.5.13.0030).

    O argumento que funciona — e o que não funciona

    Há um mal-entendido caro nesse tema. A dispensa não decorre de as funções de zeladoria e portaria serem simples demais. O TST já firmou, em vários precedentes, que essas funções demandam formação profissional e constam da CBO.

    O que afasta a cota é o conceito de estabelecimento: o condomínio residencial não se enquadra nele, por não desenvolver atividade econômica. O condomínio que se defende dizendo “as tarefas dos meus empregados são simples” está usando o argumento errado.

    Dois desdobramentos práticos. Se as atividades forem terceirizadas, a obrigação de cumprir a cota recai sobre a empresa prestadora de serviços, e não sobre o condomínio. E a tese é específica do condomínio residencial: há decisões mantendo o auto de infração contra condomínio empresarial ou comercial, ao fundamento de que ele viabiliza a atividade econômica dos condôminos.

    Um alerta necessário: trata-se de jurisprudência de Turmas do TST, não de súmula nem de tese vinculante de recurso repetitivo. Como a posição administrativa é a oposta, o condomínio pode ser autuado e precisar discutir a questão em juízo. Por isso esta calculadora não oferece um enquadramento “condomínio” que devolva “dispensado”: a decisão de contratar, de não contratar ou de litigar depende de avaliação jurídica do caso concreto.

    Contratação direta e indireta na cota de aprendiz

    Esta é a distinção que mais gera erro de apuração. Na contratação direta, o próprio estabelecimento cumpridor da cota assume a condição de empregador e inscreve o aprendiz em programa de formação. Esse aprendiz já está no total de empregados e, por isso, é excluído da base (art. 37, III, "d").

    Na contratação indireta, prevista no art. 57, § 1º e § 2º, do Decreto nº 9.579/2018, quem assume a condição de empregadora é a entidade sem fins lucrativos, que anota na CTPS a informação de que o contrato decorre de acordo firmado com determinado estabelecimento para cumprimento da cota. A consequência prática é dupla: esse aprendiz não integra o quadro próprio do estabelecimento — logo não reduz a base —, mas conta para o cumprimento da cota.

    Por que a distinção muda o resultado

    Estabelecimento com 21 empregados em funções computáveis e 1 aprendiz contratado por entidade formadora vinculado à sua cota.

    Somar o aprendiz às exclusões levaria a base a 20 e à cota mínima de 1 — resultado "conforme". Mas ele não é empregado do estabelecimento: a base permanece em 21, a cota mínima é 2 e, com 1 aprendiz computável, falta 1.

    A calculadora separa os dois campos justamente para não produzir essa falsa conformidade.

    Quem conta e quem não conta na cota de aprendiz

    A confusão mais cara do dia a dia é somar à cota quem não é aprendiz. Este quadro resume o tratamento de cada figura na apuração:

    Tratamento de cada vínculo na apuração da cota de aprendiz.
    Vínculo informadoIntegra o quadro do estabelecimento?Reduz a base?Conta para cumprir a cota?Atenção
    Aprendiz — contratação diretaSimSimSimJá deve estar somado ao total de empregados; sai da base pelo art. 37, III, "d".
    Aprendiz — contratação indiretaNãoNãoSimA entidade formadora é a empregadora. Exige contrato válido e este estabelecimento identificado como cotista.
    EstagiárioNãoNãoNãoRegido pela Lei nº 11.788/2008. Não é contrato de trabalho e não substitui aprendizagem.
    Jovem com contrato por prazo determinado comumSimNãoNãoÉ empregado comum: entra no total e permanece na base se a função demandar formação profissional.
    Trabalhador temporárioNãoSimNãoExcluído da base pelo art. 37, III, "c". O empregador é a empresa de trabalho temporário.

    A leitura da terceira coluna explica o erro mais frequente: reduzir a base por causa de alguém que não deveria sair dela produz cota mínima menor do que a devida — e é exatamente o que a fiscalização procura.

    No dia a dia do DP, vale lembrar que o aprendiz é contratado pela CLT, com idade entre 14 e 24 anos (sem teto para a pessoa com deficiência), por contrato de prazo determinado de até 2 anos. Tem direito a salário mínimo-hora, 13º, férias, vale-transporte e FGTS com alíquota reduzida de 2%, prevista no § 7º do art. 15 da Lei nº 8.036/1990 e operacionalizada hoje pelo FGTS Digital. O descumprimento da cota — mínima ou máxima — é infração trabalhista e pode gerar auto de infração e multa administrativa, além de atuação do Ministério Público do Trabalho (TAC, inquérito ou ação civil pública). Conforme o caso, a irregularidade repercute em processos licitatórios, nos termos da Lei nº 14.133/2021, e o cumprimento é comprovado por certidão emitida pelo MTE. Situação distinta é a descaracterização do contrato de aprendizagem — por descumprimento de seus requisitos legais e pedagógicos —, que pode converter o contrato em vínculo por prazo indeterminado. A insuficiência quantitativa da cota, por si só, não produz esse efeito. A fiscalização cabe à Auditoria-Fiscal do Trabalho.

    Perguntas frequentes sobre a cota de aprendiz

    A cota corresponde a um mínimo de 5% e um máximo de 15% sobre a base de cálculo do estabelecimento. A base é o total de empregados cujas funções demandem formação profissional, descontadas as exclusões legais do art. 37 da Portaria MTE nº 1/2025.
    O art. 37, III, da Portaria Consolidada MTE nº 1/2025 exclui cinco grupos: funções que demandem, para o seu exercício, habilitação profissional de nível técnico ou superior; cargos efetivamente caracterizados como direção, gerência ou confiança (art. 62, II e § único, e art. 224, § 2º, da CLT); trabalhadores temporários da Lei nº 6.019/1974; aprendizes já contratados; e afastados por incapacidade permanente. Dois cuidados: o critério é a exigência da função, não o diploma de quem a ocupa; e o título de “gerente” ou “coordenador” não exclui ninguém sem o enquadramento real nos artigos citados.
    Quando a base de cálculo é inferior a 7, não há obrigação e, em regra, não cabe nova contratação: com base 6, um aprendiz já representaria 16,67%, acima do teto de 15%. A partir de uma base de 7 a contratação se torna viável. Contratos de aprendizagem já em curso, contudo, devem ser concluídos até o termo, mesmo quando a base cai depois da admissão.
    Como suas funções demandam formação profissional e não constam nas exclusões taxativas do art. 37, integram a base. O Tema 66 do TST (IRR no RRAg-1001634-27.2019.5.02.0435, acórdão de 14/03/2025) firmou tese vinculante de inclusão de motoristas e cobradores de transporte coletivo.
    Diferentemente da cota de PCD, a cota de aprendiz é apurada por estabelecimento. O art. 37, II, define estabelecimento como o complexo de bens organizado para o exercício da atividade econômica ou social, sob o regime da CLT.
    O parágrafo único do art. 37 determina que as frações de unidade no cálculo da reserva legal geram a obrigação de contratar mais um aprendiz. Por isso, a cota mínima de 5% é sempre arredondada para cima.
    O aprendiz deve ter entre 14 e 24 anos, conforme o art. 428 da CLT. Esse limite máximo de idade não se aplica à pessoa com deficiência, que pode ser contratada como aprendiz sem teto etário.
    A alíquota do FGTS no contrato de aprendizagem é de 2% sobre a remuneração, e não os 8% do empregado comum. O fundamento vigente é o § 7º do art. 15 da Lei nº 8.036/1990, acrescentado pelo art. 2º da Lei nº 10.097/2000; o recolhimento segue a sistemática atual do FGTS Digital.
    O descumprimento sujeita o empregador a auto de infração e multa pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, além de impedir a emissão da certidão de cumprimento da reserva legal exigida em diversos atos. A regularização pode ser cobrada em ação fiscal.
    As microempresas e as empresas de pequeno porte estão dispensadas da obrigação pelo art. 56, I, do Decreto nº 9.579/2018 — para elas a contratação é facultativa. Quem opta por contratar, porém, continua sujeito ao teto de 15% da base.
    O limite do art. 429 da CLT não se aplica à entidade sem fins lucrativos que tenha por objetivo a educação profissional, por força do § 1º-A do mesmo artigo. Ela não observa nem o piso de 5% nem o teto de 15% — situação distinta da ME/EPP, dispensada apenas da cota mínima. Confundir os dois regimes leva a apontar irregularidade onde não existe.
    Na contratação direta, o próprio estabelecimento cumpridor da cota é o empregador: o aprendiz integra o total de empregados e sai da base como exclusão do art. 37, III, "d". Na contratação indireta, prevista no art. 57, § 1º e § 2º, do Decreto nº 9.579/2018, a entidade sem fins lucrativos assume a condição de empregadora e anota na CTPS a qual estabelecimento o contrato se computa. Esse aprendiz não integra o quadro próprio e não reduz a base, mas conta para o cumprimento da cota.
    A exclusão do art. 37, III, "e", é restrita ao afastamento por incapacidade permanente, isto é, à aposentadoria por invalidez. Afastamentos temporários — inclusive o benefício por incapacidade temporária — não retiram o empregado da base. Subtrair todo empregado em gozo de benefício previdenciário reduz artificialmente a base e cria risco de autuação.
    Há divergência entre a orientação administrativa e a judicial. A fiscalização do MTE trata o condomínio como sujeito à cota e lavra auto de infração. O TST, porém, tem jurisprudência firme no sentido de que a obrigatoriedade do art. 429 da CLT não alcança o condomínio residencial, porque ele não exerce atividade de empresa e não se enquadra no conceito de estabelecimento — foi o que decidiu a 6ª Turma em maio de 2026, no caso do Condomínio Concept, de Manaus. Na prática, o condomínio autuado costuma discutir a questão em ação anulatória do auto de infração. Como não é súmula nem tese vinculante, a decisão de contratar ou litigar exige avaliação jurídica do caso.
    Esse argumento não prospera. O TST já firmou, em vários precedentes, que as funções de zeladoria e portaria demandam formação profissional e constam da CBO. O que afasta a cota do condomínio residencial é outro fundamento: ele não se enquadra no conceito de estabelecimento do art. 429, por não desenvolver atividade econômica. Vale registrar dois pontos: se as atividades forem terceirizadas, a cota passa a ser da empresa prestadora; e o condomínio empresarial ou comercial não está coberto por essa tese.
    Apenas aprendizes com contrato válido firmado por entidade formadora habilitada, em modalidade supletiva, com contrato ou convênio prévio e com este estabelecimento identificado como responsável pela cota, conforme o art. 57, § 1º e § 2º, do Decreto nº 9.579/2018. Estagiários, terceirizados e jovens atendidos por programas sociais sem essa formalização não podem ser computados — a calculadora faz a conta com o número informado, mas a regularidade depende da validade jurídica do vínculo.
    Não podem ser excluídas as funções insalubres ou perigosas, as de baixa complexidade, as que exigem formação, licença ou idade específica em lei (como motoristas e vigilantes), as sem oferta de curso na localidade e as que acordo ou convenção coletiva pretenda excluir, pois a negociação não suprime essa proteção.
    A norma vigente é a Portaria Consolidada MTE nº 1, de 17 de dezembro de 2025, cujo art. 37 fixa os parâmetros do cálculo. Ela se soma à base legal dos arts. 428 e 429 da CLT, da Lei 10.097/2000 e do Decreto 9.579/2018.

    Teste seus conhecimentos sobre a cota de aprendiz

    1. Qual a faixa percentual da cota de aprendizes prevista no art. 37 da Portaria MTE nº 1/2025?Básica
    A cota varia de 5% (mínimo) a 15% (máximo) sobre a base de empregados em funções que demandam formação profissional — art. 37, I, da Portaria MTE nº 1/2025 e art. 429 da CLT.
    2. Qual é a idade prevista no art. 428 da CLT para o contrato de aprendizagem?Básica
    O art. 428 da CLT fixa a faixa de 14 a 24 anos. O limite máximo não se aplica à pessoa com deficiência, que pode ser aprendiz sem teto etário.
    3. Um estabelecimento tem base de cálculo de 40 empregados. Qual a cota mínima de aprendizes?Intermediária
    40 × 5% = 2,0. Sem fração, a cota mínima é 2 aprendizes. Se houvesse fração, o parágrafo único do art. 37 mandaria arredondar para cima.
    4. Qual das funções abaixo é excluída da base de cálculo da cota de aprendiz?Básica
    O art. 37, III, "b", exclui os cargos efetivamente caracterizados como direção, gerência ou confiança (art. 62, II e § único, e art. 224, § 2º, da CLT) — a denominação do cargo, isolada, não basta. Vendedores, auxiliares e motoristas, por demandarem formação profissional, permanecem na base.
    5. Estabelecimento com base de cálculo de 6 empregados está obrigado a contratar aprendiz?Intermediária
    Com base 6, o mínimo seria 1, mas 1 ÷ 6 = 16,67%, acima do teto de 15%. Por isso não há obrigação nem cabe nova contratação. Contratos já em curso, no entanto, seguem até o termo.
    6. Segundo o Tema 66 do TST, motoristas e cobradores de transporte coletivo:Intermediária
    O Tema 66 (IRR no RRAg-1001634-27.2019.5.02.0435, acórdão de 14/03/2025) firmou tese vinculante de que motoristas e cobradores integram a base de cálculo da cota de aprendizagem do art. 429 da CLT.
    7. Uma microempresa (ME) com 30 empregados na base é obrigada a contratar aprendizes?Intermediária
    ME e EPP estão dispensadas da obrigação pelo art. 56, I, do Decreto 9.579/2018 — a contratação é facultativa. Se optarem por contratar, contudo, continuam sujeitas ao teto de 15%.
    8. Uma entidade sem fins lucrativos que tem por objetivo a educação profissional deve respeitar o teto de 15%?Avançada
    O § 1º-A do art. 429 da CLT afasta o limite do artigo quando o empregador for entidade sem fins lucrativos com objetivo de educação profissional. Diferentemente da ME/EPP — dispensada apenas do mínimo —, aqui não se aplicam nem o piso de 5% nem o teto de 15%.
    9. Um estabelecimento tem 21 empregados em funções computáveis e 1 aprendiz contratado por entidade formadora, vinculado à sua cota. Qual a base de cálculo?Avançada
    Na contratação indireta, a entidade formadora assume a condição de empregadora (art. 57, § 2º, I, do Decreto 9.579/2018). O aprendiz não integra o quadro do estabelecimento cumpridor, logo não reduz a base — mas conta para o cumprimento. A base permanece em 21 e a cota mínima é 2.
    10. Um assistente administrativo formado em Psicologia deve ser computado na base de cálculo?Intermediária
    O critério é a exigência da função (pela CBO), não a escolaridade do empregado. Como a função de assistente administrativo não exige nível superior, ele permanece na base.

    Flashcards de revisão sobre a cota de aprendiz

    Faixa legal

    Qual o percentual da cota de aprendizes?

    clique para virar
    De 5% (mínimo) a 15% (máximo) sobre a base de empregados em funções que demandam formação profissional — art. 37, I, da Portaria Consolidada MTE nº 1/2025.
    Exclusões

    O que sai da base de cálculo?

    clique para virar
    Funções que demandem, para o seu exercício, habilitação profissional de nível técnico ou superior; cargos caracterizados como direção, gerência ou confiança; temporários da Lei 6.019/1974; aprendizes já contratados; e afastados por incapacidade permanente — art. 37, III, "a" a "e". O critério é sempre a exigência da função, não o diploma do empregado.
    Arredondamento

    Como tratar as frações da cota mínima?

    clique para virar
    O parágrafo único do art. 37 manda arredondar para cima: a fração de unidade gera a obrigação de mais um aprendiz. Já o teto de 15% é arredondado para baixo.
    Limite dos 7

    O que muda quando a base fica abaixo de 7?

    clique para virar
    Não cabe nova contratação, porque um único aprendiz passaria de 15% da base. Os contratos já em curso, porém, seguem até o termo — a queda posterior do quadro não os torna irregulares.
    Estabelecimento

    A cota é por empresa ou por estabelecimento?

    clique para virar
    Por estabelecimento (art. 37, II), diferente da cota de PCD, que soma os empregados de todos os estabelecimentos da empresa no país. É desse conceito que decorre a jurisprudência do TST afastando a cota do condomínio residencial: ele não exerce atividade de empresa.
    Tema 66 TST

    Motorista e cobrador entram na base?

    clique para virar
    Ambos integram a base. O Tema 66 (IRR no RRAg-1001634-27.2019.5.02.0435, acórdão de 14/03/2025) firmou tese vinculante incluindo motoristas e cobradores de transporte coletivo.
    FGTS

    Qual a alíquota de FGTS do aprendiz?

    clique para virar
    2% sobre a remuneração, em vez dos 8% do empregado comum — Lei nº 8.036/1990, recolhimento pela sistemática atual do FGTS Digital.
    ME e EPP

    Microempresa e EPP são obrigadas a contratar aprendiz?

    clique para virar
    Estão dispensadas da obrigação (art. 56, I, do Decreto 9.579/2018). A contratação é facultativa, mas quem opta por contratar continua sujeito ao teto de 15%.
    ESFL de educação

    A entidade sem fins lucrativos de educação profissional observa os 5% e os 15%?

    clique para virar
    Não observa nem o mínimo nem o máximo. O § 1º-A do art. 429 da CLT afasta o limite do artigo para essa entidade — situação diferente da ME/EPP, que só é dispensada do mínimo.
    Direta x indireta

    Quem é o empregador em cada forma de contratação?

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    Na direta, o próprio estabelecimento cumpridor da cota. Na indireta, a entidade formadora assume a condição de empregadora e anota na CTPS a qual estabelecimento o contrato se computa — art. 57, § 1º e § 2º, do Decreto 9.579/2018.
    Base x cumprimento

    Qual aprendiz reduz a base de cálculo?

    clique para virar
    Só o aprendiz direto, porque é empregado do estabelecimento e já está no total informado. O indireto não entra no quadro próprio e não reduz a base, mas conta para o cumprimento.
    Critério da função

    O que define se o empregado entra na base: a função ou o diploma?

    clique para virar
    A exigência da função, aferida pela CBO. Um assistente administrativo formado em Psicologia permanece na base, pois a função em si não exige nível superior.

    Responsabilidade Técnica

    Foto de Gilberto Braga
    Gilberto Braga
    OAB/PR 111.943
    Advogado especializado em Direito do Trabalho, com mais de 30 anos de experiência em auditoria, compliance e consultoria para empregadores, trabalhadores e sindicatos. Fundador e administrador do CALTRAB, responsável pela metodologia de cálculo das ferramentas do site.
    Foto de Flávia Braga
    Flávia Braga
    OAB/PR 74.320
    Mestre em Direito, Justiça e Desenvolvimento pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), advogada com atuação em Direito do Trabalho e Direito Previdenciário. Revisora jurídica do CALTRAB.
    Conteúdo com fins educativos e informativos. Para o seu caso concreto, consulte um profissional habilitado. Dúvidas e sugestões: contato@caltrab.com · Atualizado em Agosto/2026.

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