Calculadora de Cota de PCD E Reabilitados

Ferramentas do DP e RH
Versão 1.5 — Atualizado em Setembro/2026

Calculadora de Cota de PCD e Reabilitados

Apure a base de cálculo, a alíquota e a conformidade da cota de PCD e reabilitados — a reserva legal de cargos para pessoas com deficiência —, conforme o art. 93 da Lei 8.213/91 e a Portaria Consolidada MTE nº 1/2025.

Art. 93
Lei 8.213/91 — fundamento da reserva legal
2% a 5%
alíquota conforme a faixa de empregados
100+
empregados — ponto de partida da cota
Port. 1/2025
MTE consolidada — base e cumprimento
1) Quadro geral da empresa
Some os empregados de todos os estabelecimentos (matriz e filiais), exatamente como constam do eSocial. Inclua aqui todo mundo: PCD/reabilitados, intermitentes, aprendizes e afastados por incapacidade permanente. As duas exclusões da base são feitas nos campos seguintes.
Informe o total geral de empregados: número inteiro maior que zero, sem vírgula ou ponto.
2) Excluídos da base de cálculo (art. 36, III, da Portaria Consolidada MTE 1/2025)
Devem estar incluídos no total geral; serão deduzidos da base. Aprendiz não preenche a cota de PCD, ainda que tenha deficiência.
Informe um número inteiro (0 ou mais), sem vírgula ou ponto.
Devem estar incluídos no total geral; serão deduzidos da base e não contam para a cota.
Informe um número inteiro (0 ou mais), sem vírgula ou ponto.
3) Cumprimento da cota
Informe apenas os empregados legalmente computados na reserva legal — no eSocial, os que têm o campo {infoCota} marcado como "S" nos eventos S-2200/S-2205. Não inclua aprendizes com deficiência, intermitentes com deficiência, afastados por incapacidade permanente nem trabalhadores com {infoCota}=N (por exemplo, quem optou por não participar da ação afirmativa). Esses trabalhadores continuam no total geral, mas não contam aqui.
Informe um número inteiro (0 ou mais), sem vírgula ou ponto.
Resultado — Cota de PCD e Reabilitados
Total geral de empregados
Exclusões (aprendizes diretos + afastados permanentes)
Base de cálculo
Faixa / alíquota
Cota mínima obrigatória
PCD/reabilitados computáveis ({infoCota}=S)
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A cota de PCD e reabilitados é a reserva legal de cargos prevista no art. 93 da Lei nº 8.213/1991. Esta ferramenta do DP/RH considera o quadro nacional da empresa, aplica as exclusões do art. 36 da Portaria Consolidada MTE nº 1/2025, arredonda eventual fração para o inteiro superior e compara a cota com os PCD/reabilitados efetivamente computáveis no eSocial ({infoCota}=S).

Como usar: informe o total geral de empregados da empresa no Brasil, quantos aprendizes diretos e afastados permanentes estão dentro desse total e quantos PCD/reabilitados contam para a cota no eSocial. Clique em Calcular cota de PCD: o resultado mostra a base, a faixa, a cota mínima e o status de conformidade.
Aviso: a calculadora reproduz os parâmetros gerais da reserva legal a partir dos dados informados. Ela não valida laudos, certificado de reabilitação, consentimento para a ação afirmativa, enquadramento individual da deficiência nem a qualidade das informações do eSocial. A certidão oficial do MTE é gerada a partir dos dados declarados pelo empregador, e sua emissão não impede fiscalização posterior.

Como funciona a cota de PCD na folha

A reserva legal de cargos para pessoas com deficiência e reabilitados da Previdência está no art. 93 da Lei nº 8.213/1991 — a chamada Lei de Cotas. A obrigação atinge toda empresa com 100 ou mais empregados, que deve preencher um percentual de seus cargos com PCD ou beneficiários reabilitados pelo INSS. Para o DP, a cota de PCD é uma obrigação de folha: nasce do quadro declarado no eSocial e é verificada por ele.

O sistema de cotas tem múltiplas bases normativas: a Constituição Federal (arts. 1º, III; 3º, IV; e 7º, XXXI), o art. 93 da Lei 8.213/91, o Decreto 3.298/99 e a Lei 13.146/2015 (LBI — Estatuto da Pessoa com Deficiência), que adotou o conceito biopsicossocial: PCD é quem tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial que, em interação com barreiras, obstrui sua participação plena na sociedade (art. 2º). A LBI prevê que a avaliação da deficiência, quando necessária, seja biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional (art. 2º, §1º). A Lei 14.768/2023 definiu a deficiência auditiva como a limitação de longo prazo da audição, unilateral total ou bilateral parcial ou total, e fixou como valor referencial a média de 41 dB nas frequências de 500, 1.000, 2.000 e 3.000 Hz. Para a fiscalização da cota de PCD, a Orientação Técnica SIT nº 02/2024 detalha como cada hipótese é demonstrada — ver o quadro de enquadramento adiante.

O percentual cresce conforme o porte do quadro:

Faixa de empregados (base)Alíquota
De 100 a 2002%
De 201 a 5003%
De 501 a 1.0004%
Acima de 1.0005%

O que entra e o que sai da base de cálculo da cota de PCD

A Portaria Consolidada MTE nº 1, de 17/12/2025 (art. 36) detalhou a composição da base. O cálculo considera a soma dos empregados de todos os estabelecimentos da empresa no país (inciso I). Entram na base os PCD e reabilitados do próprio quadro e os empregados em contrato intermitente (art. 452-A da CLT) (inciso II). São excluídos da base apenas os aprendizes contratados diretamente — com ou sem deficiência — e os afastados por incapacidade permanente (inciso III). Por isso a calculadora pede o total geral e deduz somente essas duas exclusões: não é preciso montar a base somando categorias, e fazer isso é a forma mais comum de errar por dupla contagem.

Atenção ao intermitente: ele integra a base de cálculo (denominador), mas não conta para o cumprimento da reserva legal (art. 36, IV). Ou seja, um PCD contratado como intermitente aumenta o número-base, porém não preenche a vaga da cota de PCD — no eSocial, ele fica com {infoCota}=N. Aprendizes e afastados permanentes também não são considerados para cumprimento.

Base é uma coisa; cumprimento da cota de PCD é outra

Aqui está o ponto que mais gera erro de compliance. Estar no quadro não significa contar para a cota. O eSocial registra a deficiência (grupo infoDeficiencia) e, separadamente, se o trabalhador está sendo legalmente computado na reserva legal — é o campo {infoCota} dos eventos S-2200 e S-2205. O Manual de Orientação do eSocial (MOS) admite que uma pessoa tenha a deficiência declarada e, ainda assim, {infoCota}=N: é o caso de quem não concorda em fruir o benefício decorrente da ação afirmativa (faculdade prevista no art. 4º, §2º, da LBI), do aprendiz com deficiência e do intermitente com deficiência. Esses trabalhadores permanecem no total geral (o aprendiz direto sai só da base), mas não entram no numerador do cumprimento.

Por isso a calculadora pergunta quantos PCD/reabilitados são computáveis ({infoCota}=S), e não quantos existem na empresa. Dois PCD no quadro com apenas um {infoCota}=S, numa base de 100, resultam em cota 2 e situação não conforme: falta 1.

Arredondamento

As frações no cálculo da reserva legal são sempre arredondadas para cima, dando lugar a mais uma contratação de PCD ou reabilitado (art. 36, parágrafo único, da Portaria Consolidada). É a regra de máxima inclusão.

Exemplo prático de cálculo da cota de PCD

Suponha uma empresa cujo eSocial registra 243 empregados no total geral, somados todos os estabelecimentos. Dentro desse total há 5 aprendizes contratados diretamente, 2 empregados afastados por incapacidade permanente e 10 intermitentes. Dos PCD/reabilitados do quadro, 6 estão com {infoCota}=S.

Base = 243 (total geral) − 5 (aprendizes diretos) − 2 (afastados permanentes) Base = 236 empregados (os 10 intermitentes permanecem na base)Faixa 201–500 → alíquota de 3% Cota = 236 × 3% = 7,08 → arredonda para cima = 8 PCD/reabilitadosPCD/reabilitados computáveis ({infoCota}=S): 6 6 < 8 → NÃO CONFORME: faltam 2 contratações

Se o total geral fosse 236 — e não 243 —, a base cairia para 229, a cota seria 7 (229 × 3% = 6,87) e faltaria 1. A diferença mostra por que o total deve ser informado exatamente como está no eSocial, sem descontar nada por conta própria.

Comprovação, certidão e licitações

A condição de PCD é comprovada por laudo caracterizador da deficiência ou por certificado de reabilitação do INSS, com a informação correta no eSocial. Esses dados alimentam a certidão eletrônica de cumprimento de cota, emitida no portal gov.br pela Secretaria de Inspeção do Trabalho com base exclusiva nas informações prestadas ao eSocial e sem validação prévia (art. 34 da Portaria Consolidada) — a responsabilidade pelos dados é exclusiva do empregador, e a emissão da certidão não impede fiscalização posterior. Em licitações públicas, a Lei 14.133/2021 exige do licitante a declaração de que cumpre a reserva de cargos para PCD e reabilitados (art. 63, IV) e impõe a manutenção dessa reserva durante a execução do contrato (arts. 92, XVII, e 116). A certidão do MTE é o instrumento oficial de verificação dessa declaração, sem que a lei a torne o único documento admissível em todo certame.

O descumprimento da cota expõe a empresa a auto de infração e multa administrativa da Auditoria-Fiscal do Trabalho, proporcional ao número de vagas não preenchidas e atualizada periodicamente, além de impedir a emissão da certidão.

Proteção na dispensa (art. 93, §1º)

A dispensa de PCD ou reabilitado em contrato por prazo indeterminado, ou o término de contrato por prazo determinado superior a 90 dias, só pode ocorrer após a contratação de outro trabalhador em condição semelhante. O TST, porém, entende que se trata de garantia indireta: a substituição prévia só é exigível quando a dispensa fizer a empresa cair abaixo da cota mínima. Se a empresa já supera o percentual, não é obrigada a contratar substituto para o mesmo posto (TST-E-RR 779-16.2012.5.03.0069, SBDI-1).

Pendente de julgamento — Tema Repetitivo 312: em 8/9/2025 o TST afetou ao rito dos recursos repetitivos (IRR) a controvérsia sobre se a validade da dispensa de PCD exige apenas o cumprimento do percentual mínimo ou também a contratação prévia de substituto. Até a data desta revisão (setembro/2026) o julgamento pelo Tribunal Pleno não havia sido concluído; a tese terá efeito vinculante nos TRTs. Acompanhe na página de recursos repetitivos do TST.

Jurisprudência do TST que o RH precisa conhecer

Além da regra da dispensa, três teses são recorrentes na fiscalização e em ações do MPT:

1. Cargos de risco não saem da base. O TST rejeita a tentativa de excluir motoristas, vigilantes e funções operacionais da base de cálculo. A cota incide sobre a totalidade dos cargos, sem distinção por ramo ou risco; é vedada a exigência de "aptidão plena" (art. 34, §3º, da LBI). A empresa conta esses cargos e pode alocar os PCD em funções compatíveis.

2. Teoria dos Melhores Esforços (best efforts). Comprovando documentalmente esforços robustos de recrutamento — parcerias com SINE, INSS e ONGs, anúncios em canais específicos PCD, adaptações de acessibilidade e registros de entrevistas —, a empresa afasta a condenação por dano moral coletivo (TST-E-ED-RR-658200-89.2009.5.09.0670, SDI-1). A obrigação de continuar contratando, porém, nunca cessa; um único anúncio genérico é considerado esforço insuficiente.

3. Afastados por invalidez fora da base. A 4ª Turma do TST firmou que empregados com contrato suspenso por aposentadoria por invalidez não integram a base, pois não ocupam ativamente um "cargo" (Ag-AIRR-20074-34.2013.5.04.0018, DEJT 04/10/2024).

Fiscalização pelo eSocial e multas em 2026

A fiscalização parte dos dados do eSocial: o MTE utiliza as informações declaradas pelo empregador para cruzar o número de empregados com os PCD/reabilitados computáveis, e o sistema das certidões atualiza periodicamente esses dados, indicando a data a que se referem. Para o trabalhador ser contado, o RH precisa marcar o campo {infoCota} como "S" nos eventos S-2200 (admissão) ou S-2205 (alteração) — sem isso, o sistema não computa a contratação, mesmo havendo laudo. É esse cruzamento que gera (ou nega) a certidão eletrônica.

Os valores da multa por vaga não preenchida, atualizados para 2026 pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 13, de 09/01/2026, vão de R$ 3.499,80 (mínimo) a R$ 349.978,53 (máximo, em reincidência e grandes empresas), com base no art. 133 da Lei 8.213/91 e na metodologia da Portaria MTP nº 667/2021 (parte fixa por vaga + acréscimo proporcional ao porte). Como a multa incide por vaga, uma grande empresa reincidente pode acumular autuação milionária. Para o cálculo exato, use a Calculadora de Multa por Descumprimento da Cota de PCD. As multas administrativas do MTE e as ações do MPT (TAC e ACP por dano moral coletivo) são independentes e cumulativas.

Quem conta como PCD: quadro de enquadramento

SituaçãoConta para a cota?
Deficiência física, auditiva, visual, intelectual ou múltipla (laudo caracterizador)Sim — base e cumprimento
Reabilitado pela Previdência (certificado do INSS)Sim — base e cumprimento
Surdez unilateral total — perda auditiva completa, superior a 95 dB em cada frequência de 500, 1.000, 2.000 e 3.000 ou 4.000 Hz, sem aparelho (OT SIT 02/2024)Sim — base e cumprimento
Surdez bilateral parcial — média de ao menos 41 dB em cada orelha, nas frequências de 500, 1.000, 2.000 e 3.000 Hz, sem aparelho (OT SIT 02/2024)Sim — base e cumprimento
PCD com {infoCota}=N no eSocial (ex.: não participa da ação afirmativa)Entra na base; não cumpre a cota
Empregado intermitente (art. 452-A)Entra na base; não cumpre a cota
Aprendiz com deficiência (art. 93, §3º)Não — nem base, nem cumprimento
Afastado por invalidez permanenteNão — fora da base
Terceirizado PCDConta para a prestadora, não para a tomadora

A comprovação se dá por laudo caracterizador da deficiência — que descreve o impedimento e a forma como ele, em interação com barreiras, obstrui a participação plena do trabalhador (art. 2º da LBI) — ou por certificado de reabilitação do INSS. Na deficiência auditiva, a OT SIT nº 02/2024 exige, além do audiograma, que o laudo demonstre essa obstrução. A norma não impõe genericamente a indicação de CID ou CIF no laudo; quando houver exigência específica, ela decorre do ato que a preveja.

Perguntas frequentes sobre a cota de PCD

A reserva legal incide sobre empresas com 100 ou mais empregados, conforme o art. 93 da Lei 8.213/91. Abaixo desse número não há obrigação de cota de PCD e reabilitados. A contagem considera a base de cálculo (total geral menos aprendizes diretos e afastados permanentes), somados todos os estabelecimentos no país.

Os percentuais variam por faixa: de 100 a 200 empregados, 2%; de 201 a 500, 3%; de 501 a 1.000, 4%; e acima de 1.000, 5% das vagas, nos termos do art. 93 da Lei 8.213/91. Qualquer fração no resultado gera mais uma vaga reservada (art. 36, parágrafo único, da Portaria Consolidada MTE 1/2025).

Todos os empregados dos estabelecimentos da empresa no país, inclusive os PCD e reabilitados do quadro e os empregados em contrato intermitente (art. 452-A da CLT), com as exclusões expressas do art. 36 da Portaria Consolidada MTE 1/2025. Por isso a calculadora pede o total geral do eSocial e deduz apenas as exclusões normativas.

Apenas duas categorias: os aprendizes contratados diretamente pela empresa, com ou sem deficiência, e os empregados afastados por incapacidade permanente (aposentadoria por invalidez), conforme o art. 36, III, da Portaria Consolidada MTE 1/2025. Intermitentes e PCD com {infoCota}=N continuam na base.

Nem sempre. O eSocial possui o campo {infoCota}, nos eventos S-2200 e S-2205, que indica se o empregado está sendo legalmente computado na reserva legal. Pode haver trabalhador com deficiência declarada e {infoCota}=N — ele permanece na base de cálculo, mas não entra no cumprimento da cota de PCD. Só os {infoCota}=S contam.

O Manual de Orientação do eSocial admite que a deficiência permaneça declarada, mas com {infoCota}=N, quando a pessoa não concorda em fruir o benefício decorrente da ação afirmativa — faculdade prevista no art. 4º, §2º, da Lei 13.146/2015. Esse empregado continua no total geral e na base, porém não é computado para a cota.

O intermitente integra a base de cálculo, mas não é considerado para fins de cumprimento da reserva legal (art. 36, IV, da Portaria Consolidada MTE 1/2025). Mesmo um PCD intermitente não preenche a cota e deve constar com {infoCota}=N no eSocial.

O aprendiz com deficiência contratado diretamente é excluído da base e não preenche a cota de PCD durante a aprendizagem (art. 93, §3º, da Lei 8.213/91 e art. 36, III e IV, da Portaria Consolidada). No eSocial ele fica com {infoCota}=N. A situação muda apenas se, ao fim do contrato de aprendizagem, ele for efetivado em contrato comum.

Ambos preenchem a reserva legal do art. 93 da Lei 8.213/91. O reabilitado é o segurado readaptado pelo INSS, comprovado por certificado de reabilitação; o PCD tem a deficiência comprovada por laudo caracterizador, conforme os critérios administrativos do MTE. Em ambos os casos, o cômputo depende de {infoCota}=S.

A condição é comprovada por laudo caracterizador da deficiência ou por certificado de reabilitação do INSS, com a informação registrada corretamente no eSocial (grupo infoDeficiencia e campo {infoCota}), que alimenta a certidão eletrônica de cumprimento.

É o documento que atesta o cumprimento da reserva legal, emitido no portal gov.br pela Secretaria de Inspeção do Trabalho com base exclusiva nas informações prestadas ao eSocial, sem validação prévia (arts. 33 e 34 da Portaria Consolidada MTE 1/2025). A responsabilidade pelos dados é do empregador, e a emissão da certidão não impede fiscalização posterior.

A Lei 14.133/2021 exige do licitante a declaração de cumprimento da reserva de cargos para PCD e reabilitados na habilitação (art. 63, IV) e a manutenção dessa reserva durante a execução do contrato (arts. 92, XVII, e 116). A certidão do MTE é o instrumento oficial de verificação dessa declaração, sem que a lei a torne o único documento possível em todo certame.

O descumprimento sujeita a empresa a auto de infração e multa administrativa da Auditoria-Fiscal do Trabalho, com valor proporcional ao número de vagas não preenchidas e atualizado periodicamente, além de impedir a obtenção da certidão e de expor a empresa a TAC ou ação civil pública do MPT.

Há uma trava: pelo art. 93, §1º, a dispensa de PCD ou reabilitado em contrato indeterminado (ou o término de contrato determinado superior a 90 dias) exige a contratação prévia de substituto em condição semelhante. O TST trata isso como garantia indireta — se a empresa já supera a cota, não precisa de substituto. O Tema Repetitivo 312, afetado em setembro de 2025 e pendente de julgamento, deve uniformizar a questão com efeito vinculante.

Essa exclusão não é admitida: o TST entende que a cota incide sobre a totalidade dos cargos, sem distinção por ramo ou grau de risco, sendo vedada a exigência de "aptidão plena" (art. 34, §3º, da LBI). A empresa conta esses cargos e aloca os PCD em funções compatíveis.

Trata-se da tese pela qual a empresa, comprovando documentalmente esforços robustos de recrutamento (parcerias com SINE, INSS e ONGs, anúncios específicos para PCD, adaptações de acessibilidade e registros de entrevistas), afasta a condenação por dano moral coletivo. A obrigação de continuar buscando contratações, contudo, não cessa, e um anúncio genérico isolado é insuficiente.

A multa é aplicada por vaga não preenchida, com valores de 2026 entre R$ 3.499,80 (mínimo) e R$ 349.978,53 (máximo, em reincidência e grande porte), conforme o art. 133 da Lei 8.213/91 e a metodologia da Portaria MTP nº 667/2021 (parte fixa por vaga mais acréscimo proporcional ao porte). Para o valor exato, use a Calculadora de Multa por Descumprimento da Cota de PCD do CALTRAB.

É o campo dos eventos S-2200 (admissão) e S-2205 (alteração) que informa se o trabalhador está legalmente computado na cota de PCD. Só quem está com "S" entra no cumprimento; aprendizes com deficiência, intermitentes com deficiência e quem não participa da ação afirmativa ficam com "N". Sem a marcação correta, o empregado não é contado, mesmo com laudo, e a certidão eletrônica pode ser negada.

Para a fiscalização da reserva legal, a Orientação Técnica SIT nº 02/2024 exige audiograma com perda auditiva completa, superior a 95 dB em cada uma das frequências de 500, 1.000, 2.000 e 3.000 ou 4.000 Hz, sem aparelho, além de laudo caracterizador que demonstre a obstrução à participação plena. O parâmetro de 41 dB, valor referencial da Lei 14.768/2023, é aplicado pela orientação à surdez bilateral parcial (média de ao menos 41 dB em cada orelha).

Quiz — teste seus conhecimentos sobre a cota de PCD

Básico
1. A partir de quantos empregados a empresa fica sujeita à cota de PCD?
A reserva legal incide sobre empresas com 100 ou mais empregados na base de cálculo. Fundamento: Art. 93 da Lei 8.213/91
Básico
2. Qual a alíquota da cota de PCD para uma empresa com base de 300 empregados?
A faixa de 201 a 500 empregados corresponde a 3%. Fundamento: Art. 93, II, da Lei 8.213/91
Intermediário
3. Como são tratados os empregados em contrato intermitente?
O intermitente integra a base de cálculo, porém não é considerado para cumprimento da cota — nem mesmo o intermitente PCD, que fica com {infoCota}=N. Fundamento: Art. 36, II e IV, da Portaria Consolidada MTE 1/2025; art. 452-A da CLT
Intermediário
4. Quais empregados são EXCLUÍDOS da base de cálculo da cota?
Excluem-se da base apenas os aprendizes contratados diretamente (com ou sem deficiência) e os afastados por incapacidade permanente. Tudo o mais que está no total geral permanece na base. Fundamento: Art. 36, III, da Portaria Consolidada MTE 1/2025
Intermediário
5. Uma empresa tem base de 236 empregados (faixa 3%). Qual a cota mínima?
236 × 3% = 7,08. Como a fração arredonda sempre para cima, a cota é de 8 PCD/reabilitados. Fundamento: Art. 93 da Lei 8.213/91; art. 36, parágrafo único, da Portaria Consolidada MTE 1/2025
Intermediário
6. Uma empresa com 100 empregados na base tem 2 PCD no quadro, mas só 1 está com {infoCota}=S no eSocial. Qual a situação?
A cota é ceil(100 × 2%) = 2, mas o cumprimento é aferido pelos trabalhadores legalmente computados ({infoCota}=S), não pela quantidade de PCD existente. Com 1 computável, falta 1. Fundamento: Art. 36 da Portaria Consolidada MTE 1/2025; MOS do eSocial (campo {infoCota}, eventos S-2200/S-2205)
Avançado
7. Sobre a certidão de cumprimento de cota, é correto afirmar que:
A certidão é emitida no gov.br com base apenas nas informações prestadas ao eSocial, sem validação prévia, e sua emissão não impede fiscalização posterior. Em licitações, ela é instrumento oficial de verificação da declaração do art. 63, IV, da Lei 14.133/2021, não a substitui. Fundamento: Arts. 33 e 34 da Portaria Consolidada MTE 1/2025; Lei 14.133/2021, arts. 63, IV, e 116
Intermediário
8. Quando a empresa está dispensada de contratar substituto antes de demitir um PCD, segundo a SBDI-1 do TST?
A substituição prévia visa preservar a cota. Se ela já está cumprida com folga, a demissão não a compromete e o empregador não precisa de substituto imediato. O Tema Repetitivo 312 do TST, pendente de julgamento, deve uniformizar a questão. Fundamento: Art. 93, §1º, da Lei 8.213/91; TST-E-RR 779-16.2012.5.03.0069 (SBDI-1)
Intermediário
9. Uma empresa com base de 250 empregados tem 2 PCD computáveis ({infoCota}=S). Quantas contratações faltam?
250 × 3% = 7,5 → arredonda para 8 (cota total). Como há 2 computáveis, faltam 6 contratações. Fundamento: Art. 93 da Lei 8.213/91; art. 36, parágrafo único, da Portaria Consolidada MTE 1/2025
Avançado
10. Para a fiscalização da cota, como a OT SIT nº 02/2024 caracteriza a surdez unilateral total?
A orientação exige audiograma com perda completa, superior a 95 dB em cada uma das frequências de 500, 1.000, 2.000 e 3.000 ou 4.000 Hz, sem aparelho, mais laudo caracterizador. O parâmetro de 41 dB é aplicado à surdez bilateral parcial. Fundamento: Orientação Técnica SIT nº 02/2024; art. 1º da Lei 14.768/2023
Avançado
11. Empresa de transporte pode excluir motoristas e vigilantes da base de cálculo da cota?
O TST rejeita a exclusão de cargos de risco. A cota incide sobre todos os cargos; é vedada a exigência de aptidão plena, e a empresa pode alocar o PCD em função compatível. Fundamento: Art. 93 da Lei 8.213/91; art. 34, §3º, da LBI (Lei 13.146/2015)
Avançado
12. O que caracteriza a Teoria dos Melhores Esforços aplicada pelo TST?
Comprovados parcerias, anúncios específicos e busca ativa, afasta-se o dano moral coletivo por ausência de desídia. A obrigação de continuar contratando, porém, permanece. Fundamento: TST-E-ED-RR-658200-89.2009.5.09.0670 (SDI-1)
Avançado
13. A partir de 2026, qual o valor máximo da multa por vaga PCD não preenchida, em reincidência?
O teto de 2026 é R$ 349.978,53 por vaga (cerca de cem vezes o mínimo de R$ 3.499,80), reservado a grande porte e reincidência. Condenações em ACP por dano moral coletivo são valores distintos. Fundamento: Art. 133 da Lei 8.213/91; metodologia da Portaria MTP nº 667/2021

Flashcards — revisão rápida da cota de PCD

Quando incide a cota?clique para virar
Empresas com 100 ou mais empregados (art. 93 da Lei 8.213/91).
Percentuais por faixaclique para virar
100–200: 2% · 201–500: 3% · 501–1.000: 4% · +1.000: 5%.
Entram na baseclique para virar
Todos os empregados dos estabelecimentos no país — inclusive PCD/reabilitados e intermitentes (art. 452-A). Só saem aprendizes diretos e afastados permanentes.
Saem da baseclique para virar
Aprendizes (com/sem deficiência) e afastados por invalidez permanente.
Pegadinha do intermitenteclique para virar
Entra na base, mas não conta para cumprir a cota — nem PCD intermitente.
Arredondamentoclique para virar
Frações sempre para cima → mais uma contratação (máxima inclusão).
Dispensa de PCD (§1º)clique para virar
Só após contratar substituto em condição semelhante. Garantia indireta: dispensável se a empresa já supera a cota (SBDI-1).
Tema Repetitivo 312clique para virar
Afetado em 8/9/2025 e pendente: o TST decidirá, com efeito vinculante, se a dispensa de PCD exige substituto prévio ou só o cumprimento do percentual.
Multa 2026 (por vaga)clique para virar
Mínimo R$ 3.499,80 · máximo R$ 349.978,53 (art. 133 da Lei 8.213/91).
Melhores Esforçosclique para virar
Prova robusta de recrutamento afasta o dano moral coletivo — mas a obrigação de contratar não cessa.
Campo infoCotaclique para virar
Informa se o trabalhador está legalmente computado na cota (S/N) nos eventos S-2200/S-2205. Ter deficiência não basta: só {infoCota}=S entra no cumprimento — a base é outra conta.
Surdez unilateral totalclique para virar
Perda completa, superior a 95 dB em cada frequência indicada, sem aparelho (OT SIT 02/2024). Os 41 dB da Lei 14.768/2023 são a referência da bilateral parcial.

Responsabilidade técnica

GBFoto de Gilberto Braga, advogado responsável pela metodologia da calculadora de cota de PCD
Gilberto Braga
OAB/PR 111.943
Advogado especializado em Direito do Trabalho, com mais de 30 anos de experiência em auditoria, compliance e consultoria para empregadores, trabalhadores e sindicatos. Fundador e administrador do CALTRAB, responsável pela metodologia de cálculo das ferramentas do site.
FBFoto de Flávia Braga, revisora jurídica do CALTRAB
Flávia Braga
OAB/PR 74.320
Mestre em Direito, Justiça e Desenvolvimento pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), advogada com atuação em Direito do Trabalho e Direito Previdenciário. Revisora jurídica do CALTRAB.
Conteúdo atualizado em Setembro/2026 · Dúvidas e sugestões: contato@caltrab.com

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