⚖️ Calculadora de Adicional de Acúmulo de Função (Valor a Receber)
Estime as diferenças salariais decorrentes do acúmulo de funções — para instruir a petição inicial trabalhista (art. 840, § 1º, da CLT).
Estime valores relativos a eventual pedido de diferenças salariais por acúmulo de função, cuja viabilidade depende da prova de exercício de função diversa ou acréscimo relevante de atribuições, à luz do art. 456 da CLT e da jurisprudência trabalhista. A ferramenta estima o plus salarial a partir do percentual que você adotar como premissa, com reflexos em 13º salário, férias + 1/3, aviso prévio e FGTS — útil para a elaboração da petição inicial trabalhista.
A discussão sobre acúmulo de função surge quando o empregado passa a exercer, de forma habitual, atribuições materialmente distintas das originalmente contratadas, sem a correspondente contraprestação salarial. A caracterização depende das circunstâncias do caso concreto, sobretudo da distinção entre alteração funcional relevante e simples tarefas compatíveis com a função, à luz do art. 456, parágrafo único, da CLT. Não há percentual geral em lei: ele decorre de norma de categoria, cláusula coletiva, contrato ou arbitramento judicial.
Preencha os campos abaixo para estimar o valor do pedido e gerar automaticamente a memória de cálculo para a peça processual.
Antes de calcular: o seu caso é de acúmulo ou de desvio de função? (clique na opção)
✅ Acúmulo de função
O empregado mantém a mesma remuneração contratual e passa a exercer, de forma habitual, novas tarefas ou funções distintas das contratadas.
→ Gera discussão sobre plus salarial (adicional).
É o que esta calculadora estima↗️ Desvio de função
O empregado exerce uma função diversa da contratada, em regra de salário superior (ex.: faz o trabalho de um cargo mais alto).
→ Gera discussão sobre reenquadramento salarial (diferenças pelo salário/piso da função exercida).
Não é o objeto desta ferramentaEsta ferramenta estima valores de eventual pedido de diferenças salariais por acúmulo de função, com os principais reflexos, para auxiliar na elaboração da petição inicial.
– ou comece preenchendo os campos abaixo.
📋 Nota: Estimativa para petição inicial (Art. 840, § 1º, CLT). Preencha os campos abaixo e clique em Calcular.
👤 1. Dados do Contrato
Informada, o recorte quinquenal (art. 7º, XXIX, CF/88) é conferido automaticamente. Em branco, o recorte temporal fica sob responsabilidade do profissional.
⚠️💵 2. Períodos e Salário-Base
ℹ️ Instruções
Adicione os períodos de apuração e informe o salário-base mensal praticado em cada faixa temporal.
⚙️ 2.1. Percentual do Adicional por Acúmulo
⚖️ Percentual: premissa jurídica do usuário
O percentual não decorre de tabela legal ou jurisprudencial geral. Ele é a premissa que você adota para estimar o pedido, e pode apoiar-se em lei específica da categoria, norma coletiva, cláusula contratual ou pedido de arbitramento judicial. As opções abaixo são cenários de estimativa, não gradação oficial do acúmulo.
🎁 2.2. Reflexos em 13º Salário
ℹ️ Metodologia de Cálculo - Estimativa para Petição Inicial
Reflexos em 13º Salário: apurados por ano civil, em avos. Conta avo integral o mês com 15 dias ou mais de exercício no período discutido (Lei 4.090/1962). A base de cada ano é o adicional mensal integral do último mês apurado naquele ano.
- Cálculo: adicional mensal ÷ 12 × avos do ano civil
- Aplicação: Incide sobre o adicional por acúmulo de função apurado em cada mês
- Fundamento: Lei 4.090/1962 e Art. 7º, VIII, CF/88
Nota Importante: Para cálculos de liquidação de sentença, recomenda-se análise específica dos períodos aquisitivos de cada ano para evitar dupla contabilização.
🏖️ 2.3. Reflexos em Férias
ℹ️ Metodologia de Cálculo - Estimativa para Petição Inicial
Reflexos em Férias + 1/3: apurados por período aquisitivo, contado a partir da data de admissão, em avos. Conta avo integral o mês com 15 dias ou mais de exercício no período discutido (CLT, arts. 129 e seguintes; CF, art. 7º, XVII).
- Cálculo: adicional mensal × avos ÷ 12 × 4/3 (férias mais o terço constitucional)
- Aplicação: Incide sobre o adicional por acúmulo de função apurado em cada mês
- Fundamento: Art. 129 e seguintes da CLT e Art. 7º, XVII, CF/88
Nota Importante: Para cálculos de liquidação de sentença, recomenda-se análise específica dos períodos de gozo de férias para evitar dupla contabilização. Férias + 1/3 têm natureza indenizatória, por isso o FGTS não incide sobre esta verba.
⏰ 3. Aviso Prévio Indenizado (Opcional)
ℹ️ Projeção do Aviso Prévio
A projeção do aviso prévio indenizado calcula os reflexos do adicional por acúmulo que seriam devidos durante o período de aviso. O cálculo usa o adicional apurado no último mês do contrato, dividido por 30 e multiplicado pelos dias de aviso.
💹 4. FGTS
ℹ️ Informações sobre FGTS
O FGTS incide sobre o adicional por acúmulo de função, 13º salário e reflexos em aviso prévio indenizado (verbas de natureza salarial). Não incide sobre férias + 1/3 (natureza indenizatória). A alíquota de depósito é de 8% (art. 15 da Lei 8.036/1990). A indenização compensatória de 40% (art. 18, § 1º) é parcela distinta do depósito mensal e, nesta ferramenta, aparece em linha própria. Ambas são recolhidas na conta vinculada: o art. 26-A da Lei 8.036/1990, incluído pela Lei 13.932/2019, considera não quitado o FGTS pago diretamente ao trabalhador e veda a sua conversão em indenização compensatória — entendimento reafirmado pelo TST no Tema 68 do IRR.
Hipótese rescisória
Base de Cálculo do FGTS
ℹ️ Sobre a base do FGTS. Esta calculadora apura o FGTS exclusivamente sobre a diferença gerada pelo acúmulo de função (adicional + reflexos de natureza salarial) — não sobre o salário já pago. O FGTS incidente sobre salários já quitados, quando devido, deve ser apurado em calculadora específica de diferenças de FGTS.
📊 Relatório de Cálculo - Acúmulo de Função
💰 Verbas a Pagar ao Trabalhador
🐷 FGTS a Depositar em Conta Vinculada
* Depósito e indenização de 40% são recolhidos na conta vinculada, vedado o pagamento direto (art. 26-A da Lei 8.036/1990; TST, Tema 68 do IRR).
Detalhamento Mensal
| Época (Mês/Ano) | Salário-base | % Adicional | Valor devido (Adicional) | Reflexo 13º | Reflexo Férias+1/3 | Reflexo Aviso Prévio | FGTS (8%) | Total devido |
|---|
ℹ️ Aviso Legal - Estimativa para Petição Inicial
Valores calculados para estimativa em petição inicial. Para cálculos de liquidação de sentença, recomenda-se:
- Análise específica dos períodos exatos de gozo de férias
- Verificação de particularidades contratuais
- Aplicação de correção monetária e juros conforme jurisprudência
- Consideração de prescrição e data de ajuizamento
- Aplicação de correção monetária e juros de mora (feita apenas em liquidação de sentença; não é aplicada nesta estimativa)
Nota sobre FGTS: Os valores de FGTS, em regra, devem ser depositados na conta vinculada do trabalhador junto à Caixa Econômica Federal, e não pagos diretamente ao reclamante.
Acúmulo de Função no Direito do Trabalho
O que é acúmulo de função
O acúmulo de função ocorre quando o empregado passa a exercer, simultaneamente, funções distintas daquelas para as quais foi contratado, sem a correspondente remuneração adicional. O fundamento jurídico decorre da interpretação do art. 456, parágrafo único, da CLT: na ausência de ajuste expresso, entende-se que o empregado se obrigou a todo serviço compatível com a sua condição pessoal — razão pela qual o adicional é devido apenas quando há desequilíbrio contratual relevante.
Quando o adicional por acúmulo de função é devido
A habitualidade no exercício das atividades adicionais é elemento relevante para demonstrar que não se trata de apoio eventual ou episódico, mas deve ser analisada em conjunto com as demais circunstâncias do caso. A maior complexidade, autonomia, responsabilidade ou especialização das tarefas acrescidas pode reforçar a tese de alteração funcional relevante, sem constituir, isoladamente, pressuposto legal. Em regra, a execução de tarefas acessórias e compatíveis com a função contratada não basta, por si só, para gerar o adicional, por se enquadrar no exercício do poder de direção do empregador — conclusão que pode ser diferente havendo previsão legal, contratual ou coletiva, ou se a prova revelar alteração funcional relevante.
Limites do poder de direção
O empregador possui poder de direção para distribuir tarefas compatíveis com a função contratada. Esse poder encontra limites no contrato de trabalho, na descrição do cargo, no plano de cargos e salários, nas normas coletivas aplicáveis e na vedação à alteração contratual lesiva (art. 468 da CLT). A simples atribuição de novas tarefas não gera automaticamente adicional: é preciso examinar se elas são compatíveis com a condição pessoal do empregado e com o conteúdo ocupacional efetivamente remunerado.
Fundamentos jurídicos do adicional
Embora não exista artigo da CLT fixando percentual obrigatório, o plus por acúmulo apoia-se em interpretação sistemática: o art. 456, parágrafo único (limite da compatibilidade), o art. 457 (a gratificação de função é salário-condição, devida enquanto durar o exercício diferenciado), o art. 468 (vedação à alteração contratual lesiva) e a vedação ao enriquecimento sem causa (art. 884 do Código Civil). O contrato de trabalho é sinalagmático — pressupõe obrigações recíprocas e equilibradas; exigir mais sem contraprestação rompe esse equilíbrio. Quanto à prova, o art. 818 da CLT atribui, em regra, ao empregado o ônus de demonstrar os fatos constitutivos da sua pretensão, podendo a distribuição variar conforme as regras processuais e as circunstâncias do caso. A prova testemunhal é frequentemente relevante para revelar a rotina de trabalho e as atividades efetivamente exercidas, e pode ser complementada por descrição de cargos, e-mails, ordens de serviço, registros internos, organogramas, anúncios de vagas, relatórios e normas empresariais. Vale registrar que o acúmulo pode decorrer também de funções "inferiores" ou incompatíveis com o cargo, e não apenas de funções de maior nível — o que importa é o desequilíbrio contratual sem a devida contraprestação.
Qual percentual aplicar no acúmulo de função
A jurisprudência trabalhista costuma arbitrar percentuais conforme a intensidade do acúmulo:
- 10% — acúmulo leve, funções próximas ao cargo originário
- 20% — acúmulo moderado, atribuições com responsabilidade adicional
- 30% — acúmulo relevante, funções de natureza distinta
- 40% — acúmulo intenso, funções claramente diversas e mais complexas
Existem leis profissionais específicas com percentual próprio para determinadas categorias. A Lei 6.615/1978 assegura ao radialista adicional mínimo de 40%, 20% ou 10% pela função acumulada, conforme a potência da emissora (art. 13), e de 40% na acumulação com responsabilidade de chefia (art. 15). A Lei 6.533/1978 assegura ao artista e ao técnico em espetáculos adicional mínimo de 40% pelo exercício concomitante de funções (art. 22), vedada a acumulação de mais de duas funções no mesmo contrato. Nos dois diplomas a base é a função melhor remunerada e o percentual não gradua a gravidade do acúmulo. A Lei 3.207/1957 não trata de acúmulo de função: seu art. 8º prevê adicional de um décimo pela prestação de serviço de inspeção e fiscalização por empregado vendedor, hipótese diversa. Fora das categorias abrangidas, o raciocínio analógico só deve ser invocado com fundamento ou precedente específico.
Como calcular o adicional por acúmulo de função
O cálculo parte do salário-base do empregado, sobre o qual se aplica o percentual arbitrado. Sobre o valor apurado, incidem reflexos nas seguintes verbas:
- 13º Salário: adicional mensal ÷ 12 × avos do ano civil, contando avo integral o mês com 15 dias ou mais
- Férias + 1/3: adicional mensal × avos do período aquisitivo ÷ 12 × 4/3
- Aviso Prévio Indenizado: proporcional ao tempo de serviço (Lei 12.506/2011)
- FGTS: depósito de 8% sobre o adicional + 13º + reflexos em aviso prévio. Na dispensa sem justa causa, a indenização compensatória de 40% é apurada à parte, em linha própria
Diferença entre acúmulo de função, desvio de função e equiparação salarial
São institutos distintos: no acúmulo de função, o empregado exerce simultaneamente múltiplas funções. No desvio de função, exerce apenas função diversa da contratada, com pedido de diferenças salariais. Na equiparação salarial (art. 461, CLT), há identidade de função com paradigma, exigindo requisitos específicos como mesmo empregador, mesmo estabelecimento e diferença de tempo na função de até 2 anos.
O que diz o TST
A jurisprudência trabalhista examina o acúmulo de função conforme as circunstâncias concretas do contrato. Há precedentes reconhecendo diferenças salariais quando demonstrada alteração funcional relevante e habitual, com fundamento no equilíbrio contratual, na vedação ao enriquecimento sem causa e nas regras sobre alteração do contrato de trabalho. Também há decisões que afastam o adicional quando as atividades acrescidas são consideradas correlatas, acessórias ou compatíveis com a função contratada, à luz do art. 456, parágrafo único, da CLT — como no caso, frequentemente citado, da operadora de caixa que também empacota e repõe mercadorias. Os dois grupos de precedentes convivem, e o desfecho depende do quadro fático provado.
Existem leis profissionais específicas com percentual próprio. A Lei 6.615/1978 assegura ao radialista adicional mínimo de 40%, 20% ou 10% conforme a potência da emissora (art. 13), e de 40% quando a acumulação envolve responsabilidade de chefia (art. 15). A Lei 6.533/1978 assegura ao artista e ao técnico em espetáculos adicional mínimo de 40% pelo exercício concomitante de funções (art. 22), vedada a acumulação de mais de duas funções no mesmo contrato. Nos dois casos a base de cálculo é a função melhor remunerada, e o percentual não gradua a gravidade do acúmulo. Fora das categorias abrangidas, o raciocínio analógico só deve ser invocado com fundamento ou precedente específico. Fixado o quadro fático pelo TRT, em regra o TST não reexamina as provas (Súmula 126).
📚 Base Legal e Fontes Oficiais
Legislação e jurisprudência que fundamentam o adicional por acúmulo de função. Todos os links remetem às fontes oficiais.
Legislação
- Art. 456, parágrafo único, da CLT — presunção de compatibilidade das funções (limite do jus variandi).
- Art. 457 da CLT — gratificação de função como salário-condição.
- Art. 461 da CLT — equiparação salarial (instituto distinto do acúmulo).
- Art. 468 da CLT — vedação à alteração contratual lesiva ao empregado; o § 2º, incluído pela Lei 13.467/2017, afasta a manutenção e a incorporação da gratificação de função após a reversão ao cargo efetivo.
- Art. 818 da CLT — distribuição do ônus da prova.
- Art. 840, § 1º, da CLT — requisitos da petição inicial e indicação do valor do pedido.
- Lei 12.506/2011 — aviso prévio proporcional ao tempo de serviço.
- Lei 6.615/1978, arts. 13 e 15 — radialistas: adicional mínimo de 40%, 20% ou 10% por função acumulada, conforme a potência da emissora, e 40% na acumulação com chefia.
- Lei 6.533/1978, art. 22 — artistas e técnicos em espetáculos: adicional mínimo de 40% pelo exercício concomitante de funções.
- Lei 8.036/1990 — FGTS: depósito de 8% (art. 15), indenização compensatória de 40% (art. 18, § 1º) e vedação ao pagamento direto ao trabalhador (art. 26, parágrafo único, e art. 26-A, incluído pela Lei 13.932/2019).
- Lei 4.090/1962 — gratificação de Natal: avos por ano civil e regra dos 15 dias.
- Art. 7º, XVII e XXIX, da Constituição Federal — terço constitucional de férias e prazos prescricionais.
Jurisprudência
- Súmulas do TST — página institucional (entre outras, a Súmula 126, sobre reexame de fatos e provas).
- TST, Tema 68 do IRR — acórdão do Tribunal Pleno (RRAg-0000003-65.2023.5.05.0201) — tese vinculante: nas reclamações trabalhistas, o FGTS e a respectiva indenização de 40% devem ser depositados na conta vinculada, e não pagos diretamente ao trabalhador. Julgado em 24/02/2025, publicado em 11/03/2025.
- Resolução nº 225/2025 do Pleno do TST — cancela 27 súmulas e 5 Orientações Jurisprudenciais da SBDI-1 por perda de eficácia, entre elas o item I da Súmula 372, a partir de 11/11/2017, pela Lei 13.467/2017.
Atos administrativos
- Nota Orientativa FGTS Digital nº 08/2025 (MTE) — procedimentos de recolhimento do FGTS reconhecido em reclamatória trabalhista, inclusive da multa de 40%.
As leis profissionais especiais acima possuem campo próprio de aplicação. Sua utilização fora das categorias abrangidas somente deve ser considerada quando houver fundamento jurídico ou precedente específico que autorize o raciocínio analógico. A Lei 3.207/1957 não trata de acúmulo de função: seu art. 8º prevê adicional de um décimo pela prestação de serviço de inspeção e fiscalização por empregado vendedor, hipótese diversa.
❓ Perguntas Frequentes sobre Acúmulo de Função (FAQ)
Q1: O que caracteriza o acúmulo de função?
Discute-se acúmulo quando o empregado, além das atribuições próprias da função contratada, passa a exercer de forma habitual outra função ou conjunto relevante de atribuições materialmente distintas, sem a correspondente contraprestação. A caracterização depende do caso concreto, sobretudo da distinção entre alteração funcional relevante e simples tarefas compatíveis com a condição pessoal do empregado (arts. 456 e 468 da CLT). O fundamento invocado é a quebra do equilíbrio sinalagmático do contrato e a vedação ao enriquecimento sem causa.
Q2: Acúmulo de funções é o mesmo que acúmulo de tarefas?
Não necessariamente. O mero aumento de tarefas não caracteriza, por si só, acúmulo de função. A jurisprudência costuma examinar se as novas atividades permanecem compatíveis com a função e com a condição pessoal do empregado, hipótese ligada ao art. 456, parágrafo único, da CLT, ou se representam alteração funcional relevante e habitual capaz de fundamentar diferenças salariais.
Q3: A CLT fixa percentual obrigatório para o adicional?
A CLT não estabelece percentual geral e obrigatório para o adicional por acúmulo de função. Pelo art. 456, parágrafo único, presume-se que o empregado se obrigou a todo serviço compatível com sua condição pessoal. O percentual pode decorrer de lei específica da categoria, norma coletiva, cláusula contratual ou ser objeto de pedido e arbitramento judicial conforme as circunstâncias. Para fins de estimativa, esta ferramenta permite adotar 10%, 20%, 30%, 40% ou percentual personalizado, conforme a tese sustentada.
Q4: Existem referências legais para auxiliar na escolha do percentual?
Existem leis profissionais específicas que preveem adicional por acúmulo de função para determinadas categorias. A Lei 6.615/1978 assegura ao radialista adicional mínimo de 40%, 20% ou 10%, conforme a potência da emissora (art. 13), e de 40% quando a acumulação envolve responsabilidade de chefia (art. 15). A Lei 6.533/1978 assegura ao artista e ao técnico em espetáculos adicional mínimo de 40% pelo exercício concomitante de funções (art. 22). Nos dois diplomas a base é a função melhor remunerada, e o percentual não mede a gravidade do acúmulo. Esses parâmetros valem para as categorias que os diplomas regem e não constituem tabela geral aplicável a todos os trabalhadores.
Q5: Como escolher o percentual de 10%, 20%, 30%, 40% ou outro?
O percentual deve ser escolhido conforme a tese que será sustentada na petição inicial, considerando as particularidades do caso, eventual norma legal, coletiva ou contratual aplicável e os parâmetros jurisprudenciais que o advogado considerar pertinentes. Os percentuais de 10%, 20%, 30% e 40% oferecidos pela ferramenta são cenários de estimativa: não representam tabela obrigatória nem gradação oficial do acúmulo de função. Também é possível informar percentual personalizado.
Q6: Funções "inferiores" ou incompatíveis também geram acúmulo?
Podem. A discussão não se limita a funções de maior nível: há decisões que reconhecem o acúmulo também quando as atribuições acrescidas são de nível inferior ou incompatíveis com o cargo. O critério invocado é o desequilíbrio contratual em detrimento do trabalhador, sem a devida contraprestação.
Q7: Quais verbas têm reflexos do adicional por acúmulo?
Reconhecida a natureza salarial da parcela, podem ser apurados reflexos em 13º salário (avos por ano civil), férias + 1/3 (avos por período aquisitivo) e FGTS, conforme o período discutido, a base de cálculo e os parâmetros fixados no título judicial. O reflexo em aviso prévio depende da existência de aviso indenizado ou de outra hipótese aplicável ao caso.
Q8: Sobre qual base incide o FGTS?
Nesta calculadora, o FGTS incide exclusivamente sobre a diferença gerada pelo acúmulo (adicional + reflexos salariais em 13º e aviso prévio), nunca sobre o salário já pago. Não incide sobre férias + 1/3 (natureza indenizatória). O depósito é de 8% (art. 15 da Lei 8.036/1990). Na dispensa sem justa causa, a indenização compensatória de 40% (art. 18, § 1º) é apurada em linha própria. As duas parcelas são recolhidas na conta vinculada: o art. 26-A da Lei 8.036/1990 considera não quitado o FGTS pago diretamente ao trabalhador e veda a conversão em indenização compensatória, no mesmo sentido do Tema 68 do IRR do TST.
Q9: Como se calcula o aviso prévio indenizado (Lei 12.506/2011)?
O aviso parte de 30 dias (até 1 ano de serviço) e acrescenta 3 dias por ano trabalhado, até o máximo de 90 dias. No acúmulo, projeta-se o reflexo sobre o adicional mensal do último mês, dividindo-o por 30 e multiplicando pelos dias de aviso.
Q10: Quem tem o ônus da prova e como comprovar?
Em regra, cabe ao empregado demonstrar os fatos constitutivos do pedido, especialmente o exercício habitual das atribuições alegadas (art. 818 da CLT). Permanecem aplicáveis as demais regras de distribuição do ônus da prova, inclusive quanto a fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e à distribuição dinâmica. Provas típicas: testemunhas, descrição de cargos, ordens de serviço, e-mails e documentos internos que evidenciem o exercício habitual de funções distintas.
Q11: Operadora de caixa que também empacota e repõe mercadorias tem direito ao adicional?
Em regra, não. Há decisões que afastam o adicional nesse cenário por considerar tais atividades compatíveis com a função de caixa (art. 456, parágrafo único, da CLT). A discussão tende a prosperar quando as tarefas acrescidas são materialmente distintas das contratadas e representam alteração relevante do conteúdo funcional.
Q12: Pode haver indeferimento mesmo com múltiplas tarefas?
Sim. Se as atividades forem compatíveis com a função contratada, acessórias ao cargo e sem aumento substancial de responsabilidade, muitos julgados indeferem o adicional, com base no art. 456, § único, e no exercício regular do jus variandi.
Q13: A gratificação de função se incorpora ao salário?
A gratificação de função é salário-condição (art. 457), devida enquanto durar o exercício diferenciado. Quanto à incorporação após a reversão ao cargo efetivo, o art. 468, § 2º, da CLT, incluído pela Lei 13.467/2017, afasta a manutenção e a incorporação da gratificação, com ou sem justo motivo e independentemente do tempo de exercício. O item I da Súmula 372 do TST foi cancelado pela Resolução 225/2025, por perda de eficácia a partir de 11/11/2017. Para requisitos já completados até 10/11/2017, o TST reconhece direito adquirido e afasta a aplicação retroativa do § 2º. O item II da súmula segue vigente: mantido o empregado na função comissionada, o valor da gratificação não pode ser reduzido. Essa discussão é distinta do arbitramento do adicional nos casos de acúmulo.
Q14: Qual a diferença entre acúmulo, desvio de função e equiparação salarial?
No acúmulo de função, o empregado mantém as atribuições originárias e agrega, de forma relevante, outras funções ou atribuições. No desvio de função, há deslocamento substancial ou preponderante para função diversa da contratada, com pedido de diferenças correspondentes à função efetivamente exercida. Na equiparação salarial, regulada pelo art. 461 da CLT, busca-se igualdade salarial em relação a paradigma que exerça função equivalente, desde que preenchidos os requisitos legais próprios desse instituto.
Q15: Qual o prazo prescricional?
Aplica-se a prescrição trabalhista geral: quinquenal (5 anos anteriores ao ajuizamento) e bienal (ação em até 2 anos após a extinção do contrato), nos termos do art. 7º, XXIX, da CF/88 e do art. 11 da CLT.
Q16: Como usar esta calculadora na petição inicial?
A ferramenta auxilia na estimativa necessária à indicação do valor dos pedidos na petição inicial, nos termos do art. 840, § 1º, da CLT. Informe período, salário-base, percentual adotado como premissa, aviso prévio quando aplicável e a hipótese de FGTS. A metodologia é simplificada e não aplica correção monetária nem juros, que poderão ser apurados posteriormente conforme o título judicial e os critérios aplicáveis.
Q17: Esta ferramenta substitui o cálculo pericial?
Não. É instrumento estratégico para a fase inicial. A liquidação de sentença deve observar o título executivo, os períodos exatos, o percentual arbitrado pelo Juízo e os índices oficiais.
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Responda às 8 perguntas sorteadas sobre acúmulo de função, equiparação e desvio de função:
🎯 Resultado do Quiz
🧠 Flashcards — Acúmulo de Função
Responsabilidade Técnica

Gilberto Braga
OAB/PR 111.943
Advogado especializado em Direito do Trabalho, com mais de 30 anos de experiência em auditoria, compliance e consultoria para empregadores, trabalhadores e sindicatos. Fundador e administrador do CALTRAB, responsável pela metodologia de cálculo das ferramentas do site.

Flávia Braga
OAB/PR 74.320
Mestre em Direito, Justiça e Desenvolvimento pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), advogada com atuação em Direito do Trabalho e Direito Previdenciário. Revisora jurídica do CALTRAB.
Dúvidas ou sugestões: contato@caltrab.com
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Pedimos desculpas pela experiência.
Lamentamos sinceramente que a Calculadora de Acúmulo de Função não tenha atendido às suas expectativas. O CALTRAB está em constante aprimoramento e o seu retorno é fundamental para que possamos melhorar.
Por favor, conte-nos o que podemos melhorar.
Sua sugestão será analisada com atenção pela nossa equipe:
Você também pode sugerir novas calculadoras ou funcionalidades que considere necessárias. Cada mensagem recebida é lida e considerada no nosso planejamento.
🧮 Outras calculadoras para estimar valores da petição inicial:
📖 Tutorial - Calculadora de Acúmulo de Função
Passo 1: Dados do Contrato
Informe a data de admissão do trabalhador e a data de dispensa (se houver). Em seguida, defina o período do cálculo (data inicial e final).
O período do cálculo determina os meses em que será apurado o adicional por acúmulo de função pretendido na petição inicial.
Informando a data de ajuizamento, a calculadora confere o recorte quinquenal (art. 7º, XXIX, CF/88 e art. 11 da CLT) e bloqueia o cálculo que alcance parcelas prescritas, indicando a data-limite a usar.
Deixando a data de ajuizamento em branco, nenhum recorte automático é aplicado: o período fica sob responsabilidade do profissional, e a premissa é registrada no resultado. É o caminho para casos com causa suspensiva ou interruptiva da prescrição.
Passo 2: Períodos e Salário-Base
Clique em "Adicionar Período" para incluir os períodos de apuração. Para cada período, informe:
- Início: mês/ano de início (formato MM/AAAA)
- Fim: mês/ano de término (formato MM/AAAA)
- Salário-base: salário contratual praticado no período (também chamado de base de cálculo), sobre o qual incidirá o percentual do adicional por acúmulo
ℹ️ Atenção: nesta calculadora não se informa “salário devido” nem “salário pago”. O que se informa é o salário-base; o valor devido a título de adicional é apurado automaticamente (salário-base × percentual arbitrável).
Passo 3: Percentual do Adicional
A CLT não fixa percentual específico para o acúmulo de função. Na prática forense, decisões judiciais costumam arbitrar o plus salarial entre 10% e 40% sobre o salário-base, a depender da complexidade, habitualidade e aumento de responsabilidades.
- 10% / 20% / 30% / 40%: cenários disponibilizados para estimativa do pedido
- Personalizado: permite arbitrar outro percentual conforme a tese
O adicional será calculado assim: Adicional devido = Salário-base × Percentual arbitrado.
Passo 4: Aviso Prévio Indenizado e FGTS
Se o trabalhador foi dispensado sem justa causa e fez jus ao aviso prévio indenizado, marque a opção para projetar os reflexos do adicional em aviso prévio (30 a 90 dias, conforme Lei 12.506/2011).
ℹ️ Sem correção monetária nem juros. Esta calculadora tem por finalidade auxiliar advogados a estimarem valores de pedidos da petição inicial (art. 840, §1º, CLT). A aplicação de correção monetária e juros é matéria própria da liquidação de sentença, não sendo feita aqui.
Selecione a alíquota do FGTS:
- 8%: regra geral
- Indenização de 40%: marque quando houver dispensa sem justa causa — ela aparece em linha própria, separada do depósito
A base do FGTS adotada é o adicional por acúmulo + 13º salário + reflexos em aviso prévio (férias + 1/3 têm natureza indenizatória e não sofrem incidência de FGTS).
Passo 5: Calcular e Exportar
Clique no botão "Calcular" para gerar o relatório. A calculadora irá apurar, mês a mês:
- Época (mês/ano) e salário-base informado
- % do adicional por acúmulo (10%, 20%, 30%, 40% ou personalizado)
- Valor devido = salário-base × percentual do adicional
- Reflexos em 13º salário (avos por ano civil)
- Reflexos em férias + 1/3 (avos por período aquisitivo)
- Reflexos em aviso prévio indenizado (se aplicável)
- Total devido ao trabalhador no mês
- FGTS — depósito de 8% sobre adicional + 13º + aviso prévio, com a indenização de 40% em linha separada
Você pode imprimir, exportar para PDF ou Excel, salvar a configuração ou compartilhar o cálculo.
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